Relatos de um pai sobre parto feito em casa

Se você caiu direto neste artigo aqui, te oriento fortemente a ler primeiro esse POST e depois este AQUI paizão. A leitura dos posts nesta sequência irá aquecer o seu coração, como fez com o meu. E esse relato a seguir do Pedro Muniz sobre o parto em casa do Téo então irá te surpreender!


Bem, aqui estou 48 horas após o nascimento do nosso Filho Téo, ainda processando tudo que aconteceu…

Pai faz parto em casa no ES - Vida Boa de Pai

Téo nasceu em casa, com 4kg e 48 centímetros (Foto: Arquivo pessoal Pedro Muniz)

Um dia que ficará marcado em nossas histórias, aonde nossa casa, nossa sala, nossa cama, tem e terá sempre as marcas e a densidade do que vivemos. Era quinta-feira pela manhã, mais um dia normal. Acordamos as cinco da manhã fomos para sala e tomamos nossa café juntos como para nos é comum. Antes deu sair para trabalhar Lorrayne me comunica: “Amor estou começando a ter contrações…”

Aproveitamos o momento para orar pelo nosso dia e pelas contrações que haviam começado… O pedido só foi que Deus abençoasse o nosso dia, que Ele nos desse a Graça de viver tudo que Ele tinha para nós neste dia. Beijei ela e o meu filho Ian (que estava em seu colo, “pendurado” no Téo e que pediu também um beijo rsrs).

Seguindo a rotina de nosso dia, minha esposa mesmo com as pequenas contrações, levou nossos dois filhos para a escola, que também é o seu local de trabalho (além de Psicóloga e Doula, ela também é assistente de educação infantil). Chegando lá, as professoras ainda brincaram dizendo para ela correr pra casa se não ela teria o menino ali mesmo. Como nosso último demorou 26 horas ela veio tranquila para casa.

Enfim, quando foram 10 horas da manhã cheguei em casa e ela estava ainda tranquila, apesar das contrações estarem evoluindo. Conversávamos e riamos sobre a possibilidade de termos que ficar novamente as 26 horas, comemos chocolates e separamos nosso açaí, na esperança de precisar de energia extra para o todo o processo!!

Quando foi exatamente 10h33 as contrações começaram a aumentar rápido, foi quando me vi numa situação como a que vivenciamos com nosso último filho, mas que foi só no período final. Ligamos para nosso médico e ele orientou que fossemos pro hospital e que ele estaria a caminho também. Mas quando tentamos sair de casa Lorrayne já não conseguiu mais andar e ficamos ali mesmo, na sala.

Na hora que Lorrayne gritou para mim “está nascendo amor”, me dei conta que tudo aconteceria ali mesmo, no nosso Lar, na nossa sala… Para mim a ficha da terceira paternidade caiu junto com o grito dela. Seu alerta “está nascendo amor”, foi também um alerta de que agora havia chegado a hora, o Pai do Téo precisava acordar, precisava assumir a responsabilidade que me cabe enquanto Homem e Pai.

Muitos podem achar que o homem fica distante por ser frio, que não quer saber, que não valoriza, sim isso pode ser verdade, mas de fato é muito difícil para nós nos envolvermos realmente. É um esforço muito grande que temos que fazer para tomarmos consciência de algo que está fora de nós, e que a mulher vive de forma própria. Os hormônios lembram a mulher dessa vida que agora está dentro dela, as mudanças no corpo, as mexidas do neném, entre outras coisas. Já nós temos que assumir o esforço de se tornar Pai junto do período gestacional. Mas confesso é difícil!

Mas então, voltando para o momento em que o Téo começa a sair, o que mais me ajudou foi a tranquilidade impressionante da minha esposa em conseguir me dizer o que fazer e não fazer (rsrs).

Mesmo em meio as dores do período expulsivo, teve a frieza, a calma, e o amor em me dizer “amor ele tá saindo, fique tranquilo, não puxe, não faça nada, ele vai rodar e vai sair”, “pega nosso filho amor, vai, vai…”.

Enfim nessa hora parece que me foi desligado qualquer consciência do que estava de fato acontecendo, pois olhando agora de fora e ouvindo outros homens espantados com o ocorrido, vi o quanto que isso seria difícil de se presenciar por muitas pessoas.

Pai faz parto em casa no ES - Vida Boa de Pai

Momento do nascimento de Téo (Foto: Arquivo Pessoal / Pedro Muniz)

Sim, era muito sangue, sim nos sujamos, sim ela gritou, sim foi na sala, do jeito que estávamos na hora que menos esperávamos. Mas fomos conduzidos, e lançados a essa experiência, e só nos restou vivênciá-la na medida, profundidade e densidade do momento.

Assim que nasceu coloquei o Téo em seus braços, ela acalentou, deu peito, e nós oramos juntos abençoando nosso filho.

E agradecendo com a mesma oração que começamos nosso dia sendo grato pela dádiva que é a vida, pelo presente que é nosso filho e por ter trazido ele do jeito e no tempo que o Senhor quis, da melhor maneira possível e por ter dado tudo certo.

Logo depois o Dr. Eduardo, a Uiara – enfermeira obstétrica, e Jordana – a nossa Doula, chegaram e fizeram todos os procedimentos necessários, dando todo suporte que necessitávamos. Somos imensamente gratos a essa equipe maravilhosa!!

Diante do que vivenciamos, fiquei pensando como que algo que era para ser comum se torna matéria, espanto, e susto.

Vivemos um momento de tanta inautenticidade, de plasticidade, em nossas ações, atos, e relacionamento, que o natural é celebrado como algo extraordinário. A forma como Deus fez a anatomia da mulher, e todo seu processo fisiológico para que o bebê venha a luz, hoje é esquecido, manipulado e invadido…

Pai faz parto em casa no ES - Vida Boa de Pai.

Família após o parto, em Vitória (Foto: Arquivo pessoal / Pedro Muniz)

Paz e Bem.

Pedro Muniz é pastor, empresário, marido apaixonado e pai babão de 3 filhos!!

Leia mais sobre os sentimentos envolvidos e sobre esse parto em casa feito pelo Pedro Muniz e sua esposa primeiro AQUI e depois AQUI também, onde foram notícia na mídia nacional.

Faça como o Pedro, junte-se a nós na comunidade #vidaboadepai! Se você tem interesse em compartilhar momentos, inspirar outros pais, contar histórias ou fazer um depoimento, envie então um e-mail para: eutenho@vidaboadepai.com.br. Iremos ler, responder e se você quiser, contar a sua história aqui no blog Vida Boa de Pai.

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