Redes Sociais e crianças, o que fazer?

Redes Sociais e crianças são uma relação complicada, delicada e que exige uma supervisão parental constante e atualizada. O que temos feito com isso paizão?

Faz um tempinho que uma simpática estudante de jornalismo me abordou após uma palestra que dei sobre Os efeitos do abuso tecnológico nas crianças e como protegê-las. Conversamos um pouco sobre o tema que falei naquele dia e após alguns dias recebi as perguntas para responder e colaborar com ela em um artigo bacana lá na faculdade em que estuda. Como esse artigo nunca foi publicado (até agora) e as perguntas que ela me fez foram bacanas, eu vou compartilhar com os amigos. É um assunto pertinente, importante e que precisamos sempre conversar e nos atualizar também.

Alguns pais e mães podem achar que de alguma forma estou soando de certa forma radical demais com a minha postura em relação às Redes Sociais e crianças e os acessos fornecidos às mesmas ao mundo virtual pelos próprios pais. Mas amigos, quando o assunto é criação filhos, gosto de saber que estou sendo “prudente como as serpentes e simples como as pombas“.

Entrevista dada a Gabriella Starneck (estudante de jornalismo) via e-mail.

1- Por que as redes sociais podem ser prejudiciais as crianças?

Gosto de pensar que as pessoas ao produzir algo novo, como um programa de computador, uma série de TV, um filme para o cinema, um brinquedo, um prato chique, seja o que for, pensam nas pessoas que vão consumir seu produto e/ou serviço. Pensam no público-alvo que querem alcançar. E isso funciona assim também para as Redes Sociais. Definitivamente elas não foram feitas para as crianças, pois os próprios criadores indicam que o seu uso é próprio para pessoas a partir de 13 anos idade em geral e algumas delas somente a partir de 16 anos.

Fico me perguntando qual pai ou mãe teria um maior conhecimento da plataforma que os próprios criadores delas e afirmariam que seu filho(a) é apto para usar tal Rede Social. Conheço pais que infelizmente, eles mesmos, mentiram a idade dos filhos e abriram uma conta para eles no Facebook (por exemplo), outros permitiram que os filhos fizesse isso por conta própria e outros ainda mais, pelo relacionamento distante que têm, nem sabem que filho usa e está presente em quase todas as Redes Sociais. Lamentável essa situação.

2- Quais são as consequências dos nativos digitais estarem se tornando a geração da cabeça baixa?

Os nativos digitais são chamados assim por “nascerem” praticamente online ao mesmo tempo que nasceram naturalmente da sua mãe. Já sabem mexer em tudo e o dedinho reconhece os gadgets naturalmente. Chamamos de “geração da cabeça baixa” aquela galerinha que praticamente só olha pra baixo, já viu? Estão sempre teclando com alguém ou jogando alguma coisa online. Existe a tendência de perdermos os olhares, o diálogo e também a autoestima, já que andamos apenas olhando para baixo.

3- Como proceder corretamente com o uso das redes sociais? (Tanto os pais, quanto as crianças )

É necessário cautela e zelo. Não existe possibilidade de fugirmos das Redes Sociais e nem queremos isso. A bandeira que levantamos é a da sabedoria do uso e a moderação por parte dos pais. Para nós pais, a dica é sempre ir com calma na hora de postar o dia a dia da família, as fotos das crianças, o que está fazendo ou até mesmo comendo.

E precisamos ter atenção as nossas próprias práticas do dia a dia. Se os filhos veem os pais o tempo todo no celular ou no PC eles vão adquirir uma insegurança muito grande e a tendência é caírem para dentro da “web” precocemente e lá encontrar amigos (ou não) para suprirem suas carências. Para as crianças (na verdade isso é ainda para os pais), o uso deve ser primeiramente conforme as regras da própria Rede Social e depois pela sua própria maturidade. Não é porque a tal Rede Social diz que meu filho de 13 anos pode criar uma conta por lá, que eu o deixarei criar tal conta. Isso terá (na teoria) que ser conquistado e mantido com a maturidade dele mesmo e supervisão contínua dos pais.

4- Como lidar com o limite do público e do privado?

Meu conselho é para que todas as fotos e talvez até todo o conteúdo da sua conta seja sempre privado. Poucas pessoas sabem mudar isso, mas é possível em quase todas as Redes Sociais. A não ser que você use sua conta para divulgar algo mesmo público, mantenha sua conta no privado.

5- Como os pais podem agir para proteger seus filhos da pedofilia/do cyber bullying na Internet?

Sendo pais responsáveis, que dialogam, proativos, interessados e participativos na vida do seu filho(a), seja online ou no “mundo real”. E estar sempre presente no sentido de supervisão responsável e do estabelecimento de limites. No caso tudo isso é prevenção e não uma fórmula mágica.

6- Existe um navegador próprio para as crianças, ou algum tipo de aplicativo que restrinja determinados sites?

Os navegadores possuem recursos para restringir conteúdos adultos e ofensivos, assim como os aplicativos para celulares. É possível ativar esses recursos ou criar um usuário específico para o filho(a) e assim ter um controle melhor da situação. Foi lançado recentemente o Kiddle.co que é um buscador específico para pesquisas feitas por crianças, mas infelizmente está disponível apenas em inglês atualmente.

7- Caso a criança/adolescente sofra cyber bullying, a quem os pais devem recorrer?

Devem primeiro identificar a fonte do problema. Normalmente a criança/adolescente fica constrangido em abrir a situação até mesmo com os pais, principalmente se o o canal dessa comunicação já não estiver bem estabelecido antes. Mas após essa identificação, comunicar com a escola (se for o caso) e dependendo da gravidade ir ter com as autoridades legais para tratarem a questão.

Dicas da Gisele Truzzi que é advogada, especialista em Direito Digital e Direito Criminal:

– Armazenar sempre as provas eletrônicas (e-mails, SMS, fotos, recados deixados em redes sociais, publicações feitas em sites), mantendo sua integridade. Vale arquivar as capturas de tela dessas provas (“print-screen”), manter os e-mails originais e se necessário, dirigir-se até um Cartório de Notas a fim de lavrar uma Ata Notarial do conteúdo difamatório;

– Registrar um Boletim de Ocorrência na delegacia de polícia mais próxima;

– Buscar acompanhamento psicológico, se necessário;

– Procurar um advogado para verificar a necessidade de medidas extrajudiciais ou judiciais (notificação extrajudicial, representação criminal, instauração de inquérito policial, ação de indenização por danos morais e materiais, etc.) ;

– Nunca revidar às agressões. Lembre-se: “não faça justiça com o próprio mouse!”

8- Existe uma medida legal contra esse tipo de prática?

Uma pesquisa divulgada no site Viver Sem Medo, trata o cyber bullying como maus tratos no ambiente virtual, segundo os dados desta pesquisa que cuidou do bullying no ambiente escolar no Brasil, no que diz respeito à faixa etária das vítimas, esta se concentra entre os 12 e 14 anos representando cerca de 69% das vítimas. O núcleo central do cyber bullying está circunscrito à honra do indivíduo mas também pode atingir ainda outros bens tais como a paz de espírito, a tranquilidade espiritual como é o caso de crimes cometidos através de meios eletrônicos que esteja coadunada com o delito de ameaça, descrito no artigo 147 do Código Penal.

9- Quais são os benefícios e malefícios do uso da Internet, em geral, para as crianças?

Acho que os malefícios nós já falamos um pouco, mas podemos destacar a falta de interesse ou apatia naquilo que os rodeiam, como: estudo, leitura, família, alimentação, exercícios físicos, natureza e outras coisas. Mas ao mesmo tempo podemos usar os recursos tecnológicos à nossa disposição como jogos educativos, aprendizado de outras línguas, musicalização e até mesmo contato com entes queridos que estão distantes. Tudo e tudo mesmo com muita moderação e supervisão parental.

Como podemos ver Redes Sociais e crianças são uma fórmula complicada de gerir amigos. Minha dica é para que tenhamos sempre uma presença educativa, compreensiva, conhecedora, segura e firme com suas crianças e adolescentes, quando se trata de internet, redes sociais, jogos online e tecnologia.

Abraço apertado!

Fabrício Ottoni

Junte-se a nós na comunidade #vidaboadepai! Se você tem interesse em compartilhar momentos, inspirar outros pais, contar histórias ou fazer um depoimento, envie um e-mail para: eutenho@vidaboadepai.com.br. Iremos ler, responder e se você quiser, contar a sua história no blog Vida Boa de Pai.

Comentários do Facebook

comentários

Comente aqui