Pai saudade, Pai amor

Quando o papai é todo saudade, é todo amor e é pai presente; independente da distância e do tempo que os cercam.

E se a saudade fosse o combustível de todo amor que supera as barreiras que a distância provoca? É bem possível que passe na sua cabeça um monte de ideias malucas e um complexo de inferioridade por não poder ter ao seu lado aquele que você tanto ama, seja um filho ou uma filha.

Aos vinte e cinco anos me tornei pai, morei com meu filho em uma casa simples, e depois de mudarmos duas vezes de endereço, pudemos chamar um casebre de nossa casa. Casa pequena, apertada, tudo meio bagunçado. Vivíamos bem, fomos felizes um com o outro. O papai aqui era meio estressado algumas vezes, tinha que sair para trabalhar cedo e nos fins de semana para trazer aquele pão nosso de cada dia. A relação com a mamãe não era tão boa assim, tivemos problemas de comunicação, aceitação e, como corda fraca, roeu a relação, chegou ao fim. O fim, na verdade, foi o começo de uma #VidaBoadePai. Começou uma aventura emocionante e que, só de pensar, o coração vibra de tanta felicidade.

Fui pai completo, fui pai sozinho com o filho a cada quinze dias. Nunca trabalhei tanto como nessa época. Nos fins de semana, trabalhava em uma drogaria. Aos sábados, meu horário era das oito da manhã às vinte horas, e no domingo, era das oito horas da manhã ao meio-dia. E assim, depois de uma semana intensa de trabalho, chegavam os melhores dias do mês, apesar de tanto cansaço, estes dias eram especiais e exclusivos do meu filhote. Era pura curtição.

Pai saudade, Pai amor – Rafael e seu filhão. (foto: arquivo pessoal)

Depois de um ano separado da mamãe, o papai aqui, deveria fazer uma escolha, mas, não era uma escolha simples. Uma dúvida consumia meu íntimo, triturava meu coração, cobria meu céu com uma nuvem densa e carregada de medos. Ter de escolher entre ficar perto do filho no Espírito Santo e viver de maneira difícil (materialmente falando) ou afastar-se do filho se mudando para Goiás com o intuito de construir um futuro mais seguro e melhor para os dois.

A distância? Nada mais que os quase mil e quinhentos quilômetros de distância. Distância que se multiplica, se comparada a saudade sem fim, pontes aéreas, trechos em rodovias, dias e noites com lágrimas nos olhos e a garganta com um nó cego, bem cego.

Mas sabe, quando me visto de astronauta e vejo o universo de cima, me vejo melhor, mais feliz na relação com o meu filho.

Mas, como pode isso? Eu explico. Depois da separação dos pais, as partes adultas devem escolher entre serem amistosos ou inimigos, assim diz a sociedade. Eu quebrei esse padrão. Não aceitei ser inimigo da mãe do meu filho, muito menos amigo. Somos pais. Ela com seus cuidados e eu com os meus, sempre focados no melhor para nosso filho. Ele não é só meu, é nosso.

Como um pai poderia cuidar de seu filho com tamanha distância? Como um filho poderia amar seu pai de tal maneira sem ao menos vê-lo a cada quinze dias? Como pode um filho, depois de tanto tempo, ver seu pai e sair correndo como se o pai estivesse chegando de seu trabalho e não de uma viagem que durou meses? Como pode um filho curtir tanto a presença de um pai sem sofrimento, mesmo sabendo que daqui uns dias esse papai viajará novamente e irá ficar meses sem vê-lo? Quantas perguntas, não é?

Porque Deus me ama como Pai, cuida de mim na ausência do meu falecido pai, me ensinou que amar não é estar perto o tempo todo e que a distância é algo subjetivo e o amor objetivo e, nessa equação, o amor sempre vence. É por isso que eu e meu filho somos mais que pai e filho, somos os nossos melhores amigos.

Mesmo longe, Pai Presente

Você pode me perguntar: “Eu amo meu filho, o amo muito. Porém, não entendo porque tenho dificuldades de ter um bom relacionamento com ele. Por que quando ele me vê ele se acanha, se sente envergonhado, não corre para me abraçar? Por que quando passeamos, ele quase não conversa comigo? Por que ele não me fala sobre seus dias em minha ausência?”.

Irmão, amigo, uma coisa explica isso: você e seu sentimento de medo em fracassar como pai. Ser solteiro não é castigo, você não pode ser julgado por ser pai e não ser mais o marido. Como você se comporta diante disso influencia muito na sua relação com seu filho.

O fato dos pais serem separados não justifica uma ausência paterna, não justifica a falta de um telefonema, não justifica um passeio não feito, uma viagem não realizada e um amor não dado. Se não der amor, não há o que receber de volta, nem o respeito lhe será retribuído.

Faça o seguinte, ligue para seu filho (a) quase que diariamente, diga a mãe que acima dela e de você está o filho, o bem mais precioso que vocês possuem. Na briga por pensão, o dinheiro pode ter valor, mas a vida de seu filho (a) não. Não perca tempo com problemas, crie soluções que te faça ser pai e que seu filho reconheça isso.

Não deixe que ninguém mine a relação com seu filho (a). Ao ligar, converse como se estivesse ao lado dele (a) todos os dias, como se entendesse suas falas desconexas e com assuntos misturados numa conversa em que tudo deve ser importante e inesquecível. Não se esqueça de nada, eles vão sempre nos cobrar: “Você esqueceu o que eu te falei, papai?”.

Viva longe, ou perto, mas viva como se cada dia fosse o último. De fato, pode ser mesmo o último dia de suas vidas. Portanto, não perca tempo e diga que ama, diga que entende, diga que sim, que não, mas, nunca diga talvez. Seja sempre positivista na vida de seu filho, não brigue por telefone, seja lógico em dizer a verdade sem causar dor, frustração, rancor e com amor, diga coisas como: “Claro meu filho, só machuca o pé quem anda. É por isso que você se machucou”. Ele vai entender que pequenas coisas da vida são, apenas, coisas da vida e que acontecem sempre, não faça de um gato um leão. Mostre a ele que viver é estar sendo testado o tempo todo, mas o papai que o ama está ali para lhe ajudar no que for preciso, mesmo estando longe, mas bem perto aqui no coração.

Distância não pode impedir nenhum pai ou mãe de cuidar, de querer bem, transmitir segurança, paz, conforto, alegria e principalmente amar seu filho (a). Ame sempre, o tempo todo, mesmo que através das ondas que levam e trazem as notícias, através dos nossos telefones.

Ligue sempre! Ligue sempre! Eis aí o segredo.

Fonte de inspiração em dias de cansaço e saudade extrema:

“Muitos não entendiam a razão de eu insistir assim;
É porque eu sentia que Deus de mim cuidava;
E em mim gerava um sonho bom, bem maior.
Quando eu chorava e me derramava;
Deus livrou-me da amargura, liberou o milagre.
Alta madrugada fui agraciada(o);
Eu vi tua mão agir, Teu zelo e teu amor por mim.”
Fernanda Brum – Enquanto Eu Chorava

Revisão do texto feita pela querida amiga e poetisa Denise Carvalho do blog Fragmentos de um Universo.


Rafael Medeiros
é natural de Vitória-ES e escolheu Goiânia-GO para chamar de seu lar. É um paizão apaixonado que mesmo em momentos de distância física do filhão está diariamente em contato com ele e faz disso o alicerce mais importante da sua relação com ele. Profissionalmente trabalha na Resulte Consultoria e Assessorial Empresarial.

 

Junte-se a nós na comunidade #VidaBoadePai! Faça como o Rafael!! Se você tem interesse em compartilhar momentos, inspirar outros pais, contar histórias ou fazer um depoimento, envie então um e-mail para eutenho@vidaboadepai.com.br. Vamos ler, responder e se você quiser, iremos contar a sua história no blog Vida Boa de Pai.

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